sexta-feira, 3 de junho de 2011




COMO DIZ O OUTRO.

Como diz o outro ela nasceu em 27 de agosto,
Para desgosto de seu pai. A vida mudou ele
Aprendeu a trabalhar deixou de estudar por causa de
Uma distração.

Ta vendo seu moço a vida que nasce não é
Ruim, ela veio em tempo difícil sim, mas acredite
Em mim que isso lhe fará amadurecer e aprender a
Escutar os conselhos de quem já andou um pouco mais
Que você por esses caminhos tortos.

E não poupe esforços o mundo não é o cantinho seu, como
aprendeu em seu quarto abstrato e com foto de mulher,
A dor que sente ninguém vai ligar, isso aqui gira, gira sem parar,
E se tiver fé levante as mãos aos céus ou acredite no cristo do papel, mas
Não se esqueça da sua torre de Babel, construiu com madeira podre
E agora não pode reclamar que o telhado não vai agüentar as pedras
Que lhe atiram.

E como diz o outro mês de agosto é mês de desgosto, você se assombra
Pelas as eqüinas, não pode mais paquerar as meninas, anda com pressa
De chegar e levar o leite a mesa, a marmita recheada de quase nada, pois
O que ganhar é uma miséria e não interessa saber seu sofrimento como ti
Existem vários em tormento e o que resta é o alívio da morte chegar.

É como diz o outro, em outubro vou sambar, meu carnaval vai ser assim,
Solitário só eu e mim, a nega vou deixar no barracão cuidando do nosso
Menino João, eu vou desgastar meus pés, sangrando e sambando, sambando
E sangrando. E como diz o outro vou ser feliz assim nessa vida miserável, como o coração em disparada balada até o fim.

É como diz o outro.

Paulo Valadares





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