domingo, 5 de junho de 2011



Ainda que...

Ainda que o amor fosse fogo eu queria mergulhar
Em suas labaredas. Sentir no corpo o clamor do tempo
Que passa e repassa sentindo uma ausência.

Ainda que a vida fosse, ou é tempestade, mesmo assim
Queria me jogar sempre em seus braços sendo atacado por
Seus golpes de fúria, em outros tantos momentos tendo tudo
Refrescado ao sabor de uma brisa, que alivia dor e pensamento.

Ainda que beijar seus lábios implicasse em queimar os meus,
Perder toda a sensibilidade dos sentidos, não ter mais tato em
Encontro com outros corpos, perder o gemido. Eu me negaria em você
Para sempre, mesmo que a verdade só existisse dentro de mim.

Ainda que enxergar seus olhos cegassem os meus, percorrer sua pele
Com lábios impuros, me encontrar na escuridão para sempre, ainda
Assim eu estaria ao seu lado, mesmo morrendo de repentina saudade
De tudo que deixei. Por dias e dias a fio esperei aquilo ou alguém que
Me completasse, vaguei por cidades, vasculhei escombros no tempo,
e ainda assim não encontrei a quem pertence meu destino.

Paulo Valadares

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