domingo, 15 de maio de 2011



OS PESADELOS PARECEM TERRIVEIS

Os pesadelos parecem terríveis, mas são abrigos
Do que você poderia enfrentar lá fora. Já os sonhos
São castigos, vem sempre em má hora, não viveu outrora
O que está no inconsciente.

Quando é boa a palavra, se demora na ponta da língua, na
Cabeça afora, se a palavra é ruim, você não quer proferir,
Não quer derramar lágrimas, não quer que alguém sofra.
Sobre meu coração, eu não digo quase nada, não, ele já sofreu
E hoje a sua única função é me despertar, para enfrentar a mim mesmo
 e na sua Derradeira batida eu terei terminado. Ganhado? Eu não sei,
se luta contra si, quem é que ganha?

Estão internados no mesmo bloco cirúrgico meu amor e compreensão,
Na UTI estão meus sonhos e no quarto em recuperação estão
Meus arrependimentos, medos, meus nãos, os sims que eu mesmo
Não disse, hoje são castigos, ficam amarelados, como as folhas dos
Livros, que não escrevi, pois inventei entre mim e a criatividade um
Grande abismo. E acredite, pulei dentro dele e lá me perdi.

Mas não há de ser nada, nem lágrimas vou derramar, me passou a estrada,
A amada também passou, estou só e sozinho sei que vou chegar, não peço
Um pouquinho, não tenho nada para ofertar. Em troca grátis do seu sorriso,
Eu tenho palpites e emoções, mas tudo acaba no frio, e, por favor, não venha,
Não há mais tempo de esquentar meu coração, a solidão é o governo que me convém,
Muito bem, quando daqui da varanda percebo que as flores caem das árvores mesmo belas
elas se Instalam mortas no chão.

Paulo Valadares

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