quinta-feira, 7 de abril de 2011


Até quando vamos gritar por socorro? Até quando nos colocaremos em filas para nosso próprio holocausto cotidiano no trânsito, em arrastões, em seqüestros. Até quando fingiremos que o problema não é nosso, pois acontece no quintal do vizinho, não é comigo.
Até quando seremos vítimas de balas perdidas, até quando veremos nossos filhos sendo açoitados, mortos, até quando falaremos apenas, isso foi uma tragédia. Um acidente?
O que será preciso para se arregaçar as mangas e lutarmos por um país melhor com mais segurança, saúde, esperança? Até quando engoliremos esse papo que o Brasil é o País do futuro que nunca chega! Quando essa riqueza nacional será realmente nossa, pois somos donos de tudo, mas sempre só nos restam as contas para pagar.
Até quando alimentaremos políticos que ganham salários exorbitantes, enquanto assalariados têm que fazer malabarismo para sobreviver e ainda sentem vergonha quando o filho pede uma coisa simples da qual eles não tem dinheiro para comprar.
Até quando aplaudiremos apresentadores de tv que fazem espetáculos com as tragédias humanas?
Até quando elegeremos heróis, pessoas que levam uma vida de magnata em programas que se dizem shows de realidade, mas que acredito não ser a minha realidade e nem a de muitos. Herói, ou melhor, heroína são pessoas como a moça que ligou para a polícia denunciando um homicídio praticado por policiais, herói é o sargento que tentou evitar que a tragédia na escola no Rio fosse maior, herói foram os bombeiros que também morreram na região Serrana do Rio durante as enchentes.
Até quando seremos o que não somos?


Paulo Valadares

“Me ajuda se eu quiser, me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui
Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
Nos meios das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado

Quantas crianças Deus, eu já tinha matado.”

Renato Russo

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