quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011




O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM O CORAÇÃO NÃO SENTE

Oh querida, perdoe o vacilo deste vassalo,
Que num laço de memória perdida lhe deixou
Esquecida no vão da escada, mas é que ocorreu
Uma briga no andar abaixo, e no encalço, oh querida!
De salvar outra dama desprotegida, já que ti estava
Ali guarnecida apressei-me a cumprir a tarefa de herói.

Chegado ao ponto destinado vi que a dama na qual
Referi-me estava correndo perigo, havia dois grandes
Bandidos querendo macular sua honra, não tive medo, deixo
Isso bem claro, fui prudente e temendo em perder os dentes
Conseguidos a prestação, fingir não vê ladrão e passei direito.

Mas aí tu gritaste que eu era um traste me jogando na cara
Que o seu antigo namorado estivador daria um boi, uma boiada
Para entrar naquela briga, oh querida! Enfiaste o dedo e remexeste
Na ferida, daria um boi, uma boiada, daria mesmo a fazenda se a tivesse
Para que assim o ladrão se satisfizesse e nenhum sangue seria derramado
É pecado, oh minha flor, matar um homem que está em busca de seu pão.

Oh querida, desculpe o vassalo deste vacilo, digo, o vacilo desse seu vassalo,
Mas é que segui os ditados, que macaco velho não põe a mão em cumbuca e
Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, ta! Tudo bem, sei que ainda
Não são casados, mas de boas intenções como a sua de me mandar para o combate o inferno
 está cheio de heróis, Você diz para eu conversar com eles, mas meu amor, burro velho não aprende
 outra s Línguas, e para encerrar quem vai a guerra dá e leva e considerando que sou Brasileiro e os dois americanos, antes que eu entre pelo cano prefiro pensar, Mais vale ficar vermelho cinco minutos, que amarelo toda a vida, Não há mal que sempre dure, nem bem que  sempre se ature e pancada que não doa. E vamos embora meu amor, pois como diz o ultimo ditado: O que os olhos não vêem o coração não sente.

Paulo Valadares

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