domingo, 20 de fevereiro de 2011



Rubro amor

Era um quarto típico de amantes, sobre as janelas
Uma cortina de cor viva, na parede uma estranha e
Contrastante cor úmida, negra que deixava aquele
Quarto vergonhosamente vulgar.

Sobre a cama pétalas de rosas deixadas em forma de
Coração, no ar um cheiro de carmin que na sua ausência
me acompanhava nas delirantes fantasias sexuais que eu
Tecia entre um e outro encontro com você.

A monotonia nos tempos de solidão era quebrada por leitura vagas
De Baudelaire e Beauvoir. Para me aquecer
Naquelas manhãs frias nas quais não tinha o calor
Rubro de sua pele, eu ainda me distraia aos sons perdidos de Nat
King Cole.

Quando chegava vestida naquele coturno azul eu lhe beijando,
Ansiando perde-la para sempre, sentindo o cheiro que emanava de
Seus cabelos, você apenas cobria meus lábios com os seus e dizia: Ame-me com
Alegria, pois prazer eu lhe darei para sempre.
 E para perfumar as rosas sobre a cama, deitava seu
Corpo nu.

Ali eu te cobria com um amor insaciável, amor de amante,
Amor visceral, percorria seu corpo palmo a palmo, embalado
por seus gemidos e pedidos indecorosos que só quem vivem de amor
sabe decifrar. Beijava-lhe com fome, lhe sentia em cada relação amorosa
que descobrindo ainda mais seus segredos e isso era deliciosamente irresistível,
e nesse tempo eu agia como um guerreiro que cinge sua espada temendo ser aquela a última batalha e se fosse teria visto em meus lábios um derradeiro, mas verdadeiro sorriso. Por que você marcou minha pele como seu amor.

Paulo Valadares

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