quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

É TÃO ESTRANHO

Sou tão estranho, eu medito e não acredito,
Pensar que existam anjos bons que serão
Portadores dos meus castigos.

Comprei nas mãos de um vendilhão um santo,
Estava bento numa água trazida de Xangai.
Entre tantos ais, e ameaças que se consagrariam
Póstumas, entre tantas promessas, nos muros do Vaticano
Os mesmos que eram lavados por choros inocentes de escravagistas
Modernos.

Ali aos pés da inocência nascia um ramo de flor, não seriam
Oliveiras? Acredito avistando de longe que sejam trepadeiras,
Seus ramos intrínsecos balançam ao passar dos vendavais, mas
Não tombam. O que rola morro abaixo é a fé, a esperança que
Sempre é vendida fora dali, por alguém que tem uma desmedida
Comoção por quem sofre, e não tendo dinheiro pode pagar com
Cheque ou cartão parcela-se em até três vezes.

E os sonhos de liberdade moram nos corações dos impuros, e a impureza
Vem através da prática, de não dobrar os joelhos, mas sim arregaçar as
Mangas, mas não derrubá-las completamente dos pés, pois assim seriam
Impossíveis, caso perecessem, o milagre moderno da multiplicação.

Paulo Valadares

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