terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Deus lhe pague



Certa vez convidei uma senhora a quem protegerei o nome a todo custo, e ao preço da minha honra não direi nada que possa denunciá-la. Dei o endereço do meu blog para ela e disse entra lá, é onde eu posto meus poemas, contos e crônicas, ela me perguntou é você mesmo que escreve? Nãooooo! É que eu fiz como fazem os médiuns psiquigrafei por isso se tiver algo escrito em alguma língua estrangeira é que a entidade passeou por uns desses países. Não Paulo, você não entendeu o que quis dizer, me expressei mal, o que queria saber se são todas suas, eu disse claro que não, roubei da internet todas, visitava outros blogs gostava do poema minha filha, Crtlc e Crtlv nelas. Bem faz tempo que ela não conversa comigo, mas me manda e-mals, são todos correntes e todos é aqueles que caso você não retransmita alguém vai morrer, vai perder todo seu dinheiro ou vai ter sete anos de azar, eu pensava que uma “zica” não roubava a outra, pois azar não era quando se quebravam espelhos?
Certa vez estava indo a Belo Horizonte cidade que aprecio muito, toda vez que ando naquele centro me sinto dentro de um quadro de Portinari, mas ainda estava no trem, e já estava pensando lá no centro, bem voltando a viagem, sentou ao meu lado uma senhora que falava muito pelo os quatro cantos, atrás de mim nessa viagem lembro que tinha um senhor brincando com um grupo de mulheres, pensei ele é muito velho para cantar qualquer uma delas, pois tem idade para ser avô, mas na verdade o velhinho era boa praça e ora ou outra falava algo engraçado, mas daí escutei ele falando tipo assim, qual é a cidade que tem nome de santo, as meninas não respondiam e ele sozinho completava o monólogo, São Paulo, Espírito Santo, ta eu sei que isso é meio sem graça, mas já experimentou ficar dentro de um trem muito tempo tomando minério pela a cara a fora.
E o sacolejo do trem continuou e aí o velhinho mais a senhora ao meu lado começaram a travar uma batalha religiosa, acho que foi deflagrada pelo o fato dele ter citados os santos lá atrás, a senhora explicando para ele que a salvação está em Jesus, e era para ele não reconhecer nenhum santo, que deus não gostavam de devoção a imagem e tudo mais, dali a pouco o trem parou sobre o pontilhão e aquilo é alto, fiquei imaginando toneladas sobre aquele pontilhão sobre mais de 50 metros, mas quase ninguém havia percebido, pois a discursão estava acalorada e ficou mais, muito mais quase que alimentada pela as madeiras que faziam arder as chamas das fogueiras da inquisição, pois a senhora toca meu ombro e pergunta, você não acha rapaz que ele está errado em fazer isso acreditar em santos e imagens, deus não permite, eu disse dona eu não sei, como não sabe rapaz o que lhe ensinam na igreja, dona não vou a igreja, isso é um absurdo, como não vai, um rapaz jovem, bonito (essa parte me emocionou muito), não vai a igreja, e aí veio a pergunta que eu mais temia, mas em deus você acredita, não acredita? Disse que era ateu, não creditava em deus, nem nos santos do velhinho, nem nas imagens em nada, aí num instante a mulher se deu conta que a locomotiva estava parada naquela altura e começou a dizer que era por isso que estávamos parados, por que tinha um descrente e um sujeito que devotava fé a imagens, mas o pior era o jovem (eu) que não acreditava em deus, como não acreditar em deus, no criador, quem fez o ar que você respira o alimento que você come, por isso esse mundo está perdido.
Para sorte da nação enclausurada ali dentro o trem começou a andar com o anuncio do maquinista dizendo o porquê do ocorrido, a senhora não se sentou mais ao meu lado, as meninas que estavam perto do velhinho passaram a me ver como um extraterrestre e passaram a me perguntar como era ser ateu, tanto que pensei que elas iam perguntar o que você come, como toma banho, como dorme.
No desembarque em BH todos estava naquela correria, eu fiquei esperando o trem esvaziar, de qualquer forma ia sair dali, para que sair no atropelo, quando ia saindo vi a senhora do protesto ardente arrastando duas malas, então peguei na alça de uma e ela me olhou espantada, disse deixe que ajude a senhora, ela olhou para os lados meio despistando, mas me disse por favor, pegue essa aqui que é mais pesada, então peguei e por sorte dela e minha o irmão dela estava esperando no saguão da estação entreguei a mala para ele, perguntou para onde eu ia e como eu ia para o lado oposto da cidade a carona que me oferecera não me era de grande ajuda, me despedi da dona e quando já estava caminhando ainda ouvi um pouco ao longe ela dizendo, que deus lhe pague meu filho, que deus lhe pague.

Bem, esta história é verídica, aconteceu em uma das muitas viagens que fiz de trem no ano de 2005, e se acaso me lembrar de mais algum conto, contarei e tentarei não aumentar nenhum ponto.

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