quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Um pedaço de tudo

Eu estou aqui, sentado enfrente ao computador seguindo um conselho de Jô Soares, conselho este que ouvi por muitas noites assistindo seu programa, que não tendo nada para escrever tente, pois acaba escrevendo, e não sei realmente se o que vai sair daqui me dará vontade de rasgar ou publicar, mas se está lendo.
Nasci em São Paulo num bairro de periferia, uma das minhas distrações favoritas era na infância ficar perto de um pé de abacate que tinha na pequena horta da minha casa e que sob sua sombra abrigava meus sonhos e também minhas traquinagens, como amarrar no rabo de marimbondos linhas para quando eles subissem o suficiente eu pegava a linha e dava aquele puxão. Mas um dia desprovido de precaução resolvi como forma de protesto, já que não apareceu nenhum bichinho para eu brincar, taquei sem dó nem piedade uma pedra na casinha que abrigava aqueles lindos e atrevidos pequerruchos seres, e logo após acho que menos de cinco segundos senti na pele literalmente o que aqueles pestilentos animaizinhos são capazes, pois dói e dói muito as aferroadas dos danados, tanto que me deixaram com trauma de qualquer outra forma de picada graças a...ah ia me esquecendo.
Mas mesmo assim segui ali meus experimentos, se Darwin fez sua seleção natural, por que eu não poderia dizer que o homem é claramente descendente da minhoca, não pude me aprofundar demais no assunto, pois é meio grudento e nojento mexer naquele bicho que não se definiu na natureza. Cresci numa infância saudável, ah bem, para os dias de hoje nem tanto, pois compartilhava tubaína com os colegas, detalhe, que a garrafa rodava de boca em boca, ah, também era costume fazer isso depois daquela partidinha de futebol em campo de lama esverdeado pelo o esgoto, pegávamos a mangueira de água e passava novamente de boca em boca.
Não sei como cheguei até aqui, um sujeito descrente sem anjos da guarda para ajudar, pois vivi enorme perigos, subi em árvores frondosas, comi lanches de origens duvidosas, escorreguei por ladeiras íngremes em carrinhos de rolimã nos quais os freios eram as nossas gastas solas de sapatos.
Cultivei paixão por professoras, e como sonhei com algumas delas, até hoje sonho, teve uma professora de quí...bem, não falarei desses experimentos. Prosseguindo cresci numa família normal em meio há um mundo surreal ouvindo histórias da carochinha, bicho papão. tinham aquelas histórias sobre crença, se você não acredita nisso, sua vida não anda, um sujeito duvidou da existência de deus e ao invés de nascer seu filho nasceu um pedaço de carne, pois é, cresci com pessoas tentando me amedrontar com isso, mas somos pedaços de carnes com orifícios onde tem os olhos, boca, ouvidos, nariz e também aquele lugar por onde saem às coisas que vão parar no mesmo lugar dessas histórias.
Por sorte compartilhei num radinho de pilha com minha mãe as musicas de Gonzagão, Rauzito, Roberto Carlos dos tempos do brasa mora, Caubi, Chico, Gil foram tantos conselheiros que até hoje nada aprendi direito e por isso quase sempre ando pela a esquerda.
Mas a vida é isso aí, não sei se tem mapas, se já inventaram GPS capaz de nos fazer chegar aos sonhos, aos amores, mas pouco importa, o que importa é que tenho a liberdade a esbofetear meu rosto e me chamar de covarde, meu amor por filmes franceses que fazem comédias para você ri das situações e não dos espelhos que colocam na sua frente.
Não existem sonhos impossíveis, o que existe é não tentar.

Paulo Valadares
20/01/2011

Um comentário:

  1. Paulinho a vida é feita de pedaços, uma enorme colcha de retalhos, neles nossas lembranças boas e ruins. Ainda bem que temos histórias para contar rsrsr

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