quarta-feira, 19 de janeiro de 2011



Meu sonho desabou

Bota um sorriso eu quero lhe ver dançar.
Equilibra no bolso as contas do lar, é com
Gosto que tempera a galinha, tempera as brigas e tudo
Vai temperar, numa roda de samba, na noite dos
Bambas vendo criança brincar.

Senta na areia pede conselho para Iemanjá, será
Que Janaina vai gostar? Trançar no cabelo os segredos, levando
Na cabeça a raça que te fez mulher, e no coração repleto
De bondade e emoção, você leva tanta gente que lhe sorri.

Olha no Arco da Lapa ainda chora o bandolim.
Mulata que leva a vida na praça da
Sé com todos os pecados em sua bolsa, todos os convites num estojo que lhe
Borra o rosto, que colori a alma de pais de família a se divertirem.
Certo que não sou do samba trancei minhas pernas por
Uma passista da vai - vai, e foi meu sonho, meu coração com
Ela, e foi o meu primeiro amor. Enquanto passou, não
Foi amor de carnaval.

Eu chorei como as águas que choraram no rio, mas meu pranto
Nada destruiu. Só inundou meu coração, e a mulata nunca mais
Vi, não! Juro que não, nem em pensamento, isso vira tormento por isso
desisti.
Ela sabe que ela é da minha passarela, lhe peço um favor,
Mesmo sofrendo, bota um sorriso no rosto, afasta o desgoto, ao
Menos nesses dias de folia e venha sambar, por que no sambódromo
Se a chuva vier, ela não tem nada para levar, o sambódromo é de pedra
Como o coração de quem o fez. E ano quem o Brasil Anunciadamente
Chorará outra vez, como eu pela a mulata, ingrata que num carnaval aproveitou
Minhas lágrimas e numa enxurrada fez meu sonho desabar.

Paulo Valadares
20/01/2011

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