sábado, 17 de setembro de 2011



Segredo de amor

Em noites bravias, acordado com um suor caudaloso,
Na lembrança de outras noites, outros suores ainda
Mais caudalosos com a presença de seu corpo unido
Ao meu.

Éramos dois amantes distribuindo beijos fugazes, caricias
Selvagens, numa disputa de guerra de amor, para saciarmos
Em paz em lençóis maculados nosso mútuo sentimento
Desvirginado.

Outrora a chuva batia na janela como a nos avisar que ali
Estaria na espreita de sentinela impedindo qualquer um que
Quisesse-nos atrapalhar, nos desenlaçar daquele amor pueril
Em que julgamos, serem momentos assim que dão nome a
saudade.

Eu te tocava de olhos abertos, sedento, pois temia que ao fechar
Os olhos e à torna abri-los você já teria me abandonado, não
Passando de uma miragem.

É claro, é evidente que posso ter-me entregue as outras
Mulheres, pois o corpo é uma máquina, o sexo seu combustível,
Mas confesso que nunca fora inviolável desde nossa última noite
O segredo de amor que guardo revelado apenas as estrelas.

Paulo Valadares



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