quinta-feira, 14 de abril de 2011



Impraticáveis desejos

Ela voltou com o mesmo olhar de quem na cama
Quer me catequizar, jogou no Ar as mesmas juras,
Que se misturam com as minhas injurias, promessas
Vazias que enchem meu coração, um acalento lento no
Inverno que ela faz esquentar, mas que tudo se desmancha
Quando vem a brisa.

É a saudade que mais me atormenta por causa dessa mulher,
Finjo que não vejo seus beijos dados em outros lábios que
Não os meus, mas é martírio viver com quem lhe alimenta a
Vida, pois há quem diga que são essas mulheres a viúvas negras,
Que incendeiam um pobre coração lhe enche de Amor e com sua
Ausência lhe mostra a dor.

Quando ela vem de mansinho eu ensaio brigar, mas antes ela me tira
 os escudos, me joga no sofá, me joga na cara que sem ela não vivo
e me chama de meu bem,
E junto com suas peças de roupa que caem ao chão estão as palavras que
Guardei para feri-la e que vão ficar pare serem usadas nas minhas feridas,
Quando eu acordar e perceber que o sol a levou.

Antes fosse morto num campo de batalha, ou caísse de um avião, a dor
Não desataria tanto, pois sabe muito bem o que sinto e o entenderá quem me lê,
Que um pranto perdido numa noite de insônia que fora jogado fora por
Um amor é sempre perdido, envelhece a pálpebra, embranquece o cabelo,
Faz do homem mais corajoso um mero fedelho que aguarda com apreço
O colo daquela que nos revelas nossos impraticáveis desejos.

Paulo Valadares



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